terça-feira, 16 de setembro de 2008

oi

Eu insisto em ficar aqui tentando, olhando pra nada... Me preocupo com um futuro que nunca virá. Estão todos no salão, num baile de risadas, damas e cavalheiros fazendo seus pares. E como riam ! Posso ouvir as gargalhadas daqui de cima, trancada neste quarto num chão não mais que chão, nem frio ou úmido ou seco. A felicidade se esquiva desses garotos nas ruas, que andam descalços, que andam sem horizonte, que andam nus de corpo e de si mesmos...pois já nem sabem quem são. O que viam na infância eram brinquedos mais televisivos do que brinquedos. Uma juventude desperdiçada nas calçadas com amigos, aquelas pessoas todas começando a virar gente e a discutir coisa do tipo política e cultura..ou a ironizar o mundo todo, ah esses palhaços! Adultos sem esperança, anciosos e ociosos, em carros grandes....nas suas casas com piscinas ou numa família qualquer sobrevivendo de poucas histórias e capítulos de novelas. Aquela maturidade (que os jovens ainda não sabem enxergar) por trás da pele enrugada e dos cabelos brancos, iam muitos às igrejas, não sei bem desse época. Esses garotos passaram por tudo, e hoje não são mais do que são garotos, atravessaram o tempo pra virar faixo de luz que percorre casas, esquinas, pés descalços no cafundó dos sertões e dos matos, nas conversas de bares, nos cinemas, na quadra de futebol e na torcida, nas luzes noite a dentro (dessas que piscam rápido), no quarto de uma garota adolescente que ainda não descobriu o amor então se afoga em livros e músicas que ouve falar, achando que é melhor que os jovens dançarinos das farras, ou na vida das garotas adultas de mais pra tudo isso, tenho faculdade, sou noiva, obrigada ! Garotos são engraçados, se divertem com o que lhe pregam que faz bem, e depois viram garotos sérios, os namorados daquelas mulheres da faculdade.
Mas esses só andam por aí, sabem de tudo isso que na verdade ninguém sabe e nunca páram. Não há sentimentos ou bem ou mal.... andarilhos na espera de uma nova madrugada, a que ninguém vê, a que ninguém ouve, mas é só porque as pessoas não têm tempo pra prestar atenção.


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Rotina mórbida

Acordo mais uma vez abraçada pelo cansaço. Não importa, o despertador tocou como todos os outros dias, vou levantar. No três: 1, 2...3. Que horas são? Não acredito! 5 minutos para sair! Atrasada. Perdi minha rotina.
Já não da pra voltar ao sono. Desço as escadas energizada pela manhã tentadora...todos dormem. O que tenho por aqui? CD'S e curiosidade, material novo em casa. Minutos depois na cadeira e a menos de um metro da Tv, pra poder escutar o som volume 4. Copo d'água na mão, beliscando pão. Tem da boa por aqui, prefiro clipes mas não dá pra reclamar... rits 80 !
O dia passa e vou tornando me anesteziada, não falei com as pessoas (se sim, nenhuma emoção), não vi fotografias e nem estou escrevendo, quem fala agora são estes dedos ! Se alguém ler isso não me julgue. É só mais um impulso sem vontade, e não faz sentido.
Se fosse ontem pela noite sairia bem diferente. Lembro de me ver subindo as escadas rolantes com a frase na cabeça : Realmente, pode acontecer muito mais coisas no seu dia. Mas você também pode pedir muito mais, agradecer muito mais e principalmente, confiar muito mais. Bonito mas insuficiente? Sei lá, só porque deu certo...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Cogumelos !

Por que eu iria querer escrever ao mundo? Por que tentaria convencer?
Tudo é tão meu..uma espécie de egoísmo humilde. Apenas perco forças discutindo um assunto que não me convém...exponho minha opinião e só, nunca fui boa em manipular as situações. Simplesmente revolto me com qualquer forma de opressão.
Minha idéia sobre a vida é tão simples que se torna frustrante quando se choca com a própria vida ! Sim...sim, pois como disse Carlitos: "Amo vocês como indivíduos, e os odeio como massa." No meu mundo, complemento dizendo que eu também odeio os indivíduos quando eles pensam nesta linha reta, seguem uns aos outros de mãos dadas e sem ao menos perguntar: Mas o que é que estou fazendo aqui?!
A verdade é que a esmagadora maioria tem uma idéia básica do que é ser um vencedor e eu não estou fora disso, senão já teria virado monge no Tibete (não daria, enfim)....mas me ''atrevo'' a dizer que no fundo todo mundo precisa é ser feliz, com ou sem dinheiro, com ou sem trabalho, com ou sem uma casa, com ou sem status..sentado no chão comendo miojo de chinelo e meia, não sei...parece difícil imaginar não? Pois é ! Olha em que nos tornamos. Felicidade virou ditadura: beleza, emprego, dinheiro e até amigos ! Porque agora eles também vendem essas coisas, pessoas em quantidade, pra se ter à disposição...

E, neste exato momento acabo de entender verdadeiramente a frase de Exupéry (autor do clássico O Pequeno Príncipe): ''Eu sou um homem sério!'' e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!