domingo, 31 de janeiro de 2010

Uma história de um pensamento.



- Já tá pronto? Tá na hora !
Ele riu, não sem antes abaixar a cabeça daquele jeito charmoso, deixando algumas mexas do cabelo preto se espalharem pela testa. Não sabia o quanto aquele gesto era automático e inconsciente e o quanto ele o fazia só para me provocar.
- Você, sempre tão apressada. - disse-me.
- Você, sempre tão calmo. Na verdade nem sei se existe uma palavra pra descrever a sua personalidade. É algo como... ''não me importo se o mundo está acabando lá fora, continuarei o que estou fazendo''.
Riu de novo, tive medo de que fosse uma confirmação. Droga, por que é que eu tinha sempre de parecer a idiota ?! Não importa o quanto estivesse certa, quanto tivesse certeza do que digo, ele sempre me deixava parecendo uma criança...como se sempre soubesse mais do que eu, como se tudo o que eu disesse fosse extremamente óbvio. Será que um dia conseguiria de fato surpreendê-lo ?
Neste exato momento me diverti imaginando uma cena de filme estúpida na cabeça. Uma granada, de repente tirada da bolsa, eu a destampava cuidadosamente com a boca, jogava aos fundos da casa e abria a porta, saindo despreocupada enquanto ele se sobressaltava e corria. Um sorriso malicioso surgiu em minha boca. Depois me balancei levemente tendo noção do quanto aquilo era ridículo , ainda assim não tive certeza do quanto este ato o provaria.
- Que foi? - me perguntou, tirando-me dos devaneios.
- Hmm...nada - fitei-o brevemente.
Deu uns dois passos em minha direção, parou a alguns centímetros de distância e fechou os braços por volta de minha cintura ao me puxar delicadamente para me encostar à seu corpo. Pousou os lábios por um tempo razoavelmente longo em minha testa e fechou os olhos. Não sei por que aquela situação me incomodou, fiquei confusa e sem saber o que fazer.
Desgrudou a boca de minha testa, mas sem soltar os braços.
- Sabe, hoje tenho uma surpresa pra você.
Instintivamente olhei para o lado, já indagando o que seria. Percebi que ele me observava.
- Golpe baixo, sabe que sou curiosa.
- Sei, por isso mesmo gosto de provocar.
Ficamos em silêncio por um instante e como ele não disse nada...
- E então, não vai me contar o que é ?
- Se eu contar, não vai ser mais surpresa. - deu um sorrisinho.
- Então nem tivesse falado.
- Não estava com pressa ? - tentou uma distração.
Nem precisei responder, uma buzina de carro soou lá de fora, percebi que realmente estávamos atrasados e de forma literal entrelaçados. Soltamo-nos. Mas não estava mais ligando, o fator surpresa tomou conta dos pensamentos.
Droga, de novo, por que é que quando estou com ele torno-me tão influenciável ? De qualquer maneira faria o máximo para não transparecer, o máximo para me manter firme no que quer que seja, farei isto antes que minha postura me delate e estrague tudo, de novo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Eu te amo, São Paulo ?

Hoje vou contrariar a rotina disto aqui, só porque não segue um padrão normal, escrevo coisas jogadas...enfim pessoas estranhas e suas coisas estranhas....
O assunto é que esses dias atrás fui num cinema da augusta, a convite de uma amiga, pra ver um filme chamado ''Nova York, eu te amo''. Quando acabou achei um tanto cult, aliás todos os filmes lá são assim e o único de que eu tinha ouvido dizer é o do Lula ''\o/''...masss gostei. Na hora não causou impacto, e inclusive ''assisti'' ao meio de conversas a outra versão do longa só que desta vez ''Paris, eu te amo''. Resumidamente são pequenas trechos do cotidiano de pessoas que vivem nessas cidades. Acaba uma história vem outra, simples assim...mas a graça toda é ficar imaginando o que acontece depois com cada um deles, e entender as situações em si, que não são das mais normais. A questão é que depois eu fiquei pensando sobre as minhas situações na rua com pessoas estranhas,* pessoas que podem vir de estradas totatalmente diferentes e por um breve momento cruzaram a minha *
Ontem por exemplo me sentei ao lado de uma mulher que parecia saber muito bem para onde estava indo, a típica brisa da janela de ônibus..nenhum indício de que iria se mover dali por um bom tempo, quando num leve movimento girou o corpo e me perguntou se o ônibus passa pela estação Artur Alvim...algo meio óbvio na minha cabeça já que moro a uns 10 min da estação, eu disse que sim, e que depois ele seguiria direto pela Radial e por fim ela me pediu pra que eu avisasse quando fosse a hora de descer. Foi um dos poucos momentos de minha vida de que tive certeza de ter dado a informação certa, pois tenho dúvidas quando o assunto é localização na cidade onde moro, principalmente num raio de distância maior do que alguns palmos a frente do nariz. E o que aconteceu depois ? Ela desceu, agora pra onde ela foi? Pra onde eu fui? Haha Aí ninguém sabe porque se fosse no filme a história acabaria assim, claro que não usando um exemplo retardado como este...mas essa é a idéia. Afinal até mesmo eu tenho coisas mais interessantes do que isso, com direito a briga de duas mulheres no ônibus e a sangue o.õ, sem meu envolvimento claro, mas sabe, as vezes as coisas simplesmente acabam sem sentido e de uma maneira ou de outra você vai criar um final, só pra que ela realmente acabe...e que você realmente possa continuar, passar essa fase...afinal não é pra isso que somos criadores de mundos ?
* Piegasss